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Para avançar, governança corporativa precisará sair do papel em 2018, dizem especialistas

 28/01/2018
 Tecnologia,Compliance,Corrupção
 Estadão
Fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/governanca,para-avancar-governanca-corporativa-precisara-sair-do-papel-em-2018-dizem-especialistas,70002131120.amp

Após um ano com avanços significativos nas normas de governança corporativa no Brasil, ainda há dúvidas sobre o que esperar de 2018. Especialistas ouvidos pelo Estado apontam que, com tantas regras, é hora de colocar em prática o que está no papel.

“Diversas mudanças foram feitas na teoria, mas ainda não sabemos como elas se darão no dia a dia das empresas. Não podemos apenas celebrar a existência de melhores parâmetros se eles não estão sendo praticados”, afirma o Alexandre Di Miceli, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e sócio-fundador da Direzione Consultoria.

Ele utiliza o exemplo do formulário de referência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criado em 2010. Na época, o documento foi visto como uma mudança dramática para os padrões de boas práticas, mas revelou-se aquém do esperado. “Só a existência da regra não garante que as coisas estejam sendo feitas da maneira correta”, diz.

A presidente do Instituto Compliance Brasil, Sylvia Urquiza, destaca que 2018 é ano eleitoral. Os recentes escândalos envolvendo poderes público e privado no Brasil alertam para o fato de que, mais do que nunca, será preciso encarar essa relação com ética e transparência naquele que promete ser o pleito mais polêmico desde a redemocratização.

“Estamos debatendo muito a corrupção e as relações entre políticos e empresas ficarão em evidência. Também por isso, a situação exigirá decisões rápidas e coerentes da Justiça, para garantir que ilegalidades sejam mesmo combatidas”, comenta.

Na avaliação do presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Emilio Carazzai, o ano que vem será decisivo para separar empresas que realmente levam a governança corporativa a sério daquelas que apenas cumprem o "check list" obrigatório sem tornar as regras uma realidade prática.

“É evidente que há um avanço na conscientização sobre esse tema. A empresa que não souber formular e aplicar seu sistema de governança vai ficar para trás, exposta ao mercado e à sociedade. Ninguém deseja isso.”, diz. Segundo ele, há um prazo natural cada vez mais apertado para que as adequações sejam feitas. “Não há como contornar essa demanda.”

Pontos críticos. Di Miceli aponta o conselho de administração das empresas como um ponto crítico que merecerá atenção nos próximos meses. “Quando falamos em avaliação de desempenho desses conselhos, é algo que não avança. Assim como a presença de conselheiros independentes, por exemplo, que ainda é escassa. Ou de mulheres. Não dá para pensarmos em futuro sem tocarmos nesses temas específicos, mas poucas empresas estão dispostas a fazê-lo”, avalia.

Sem esses elementos, ele acredita que será difícil que o Brasil tenha um horizonte em que teoria e prática caminhem lado a lado.

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